Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Artigo: Estado laico, lacunas jurídicas e homossexualidade


Marcelo Soares Oliveira
advogado do Centro de Referência GLBT de Palmas - TO


No instante em que o Brasil se tornou uma República o Estado deixou de possuir uma religião oficial, tornando-se um Estado laico, isso desde o fim do século XIX.

A separação existente entre o Estado e a religião se refletiu indubitavelmente nos costumes, nos hábitos e na moral, nos atos que são praticados por seus funcionários. Dentre eles devemos destacar a atuação das pessoas que nos representam nas diversas Casas Legislativas municipais, estaduais e da União.

Assim, quando age como representante da sociedade, o legislador deve pensar em todos e procurar legislar para todo o povo que representa, sem ficar acorrentado por uma moral que muitas vezes só faz disseminar mais e mais preconceito e injustiças.

Sempre é bom lembrar que o Brasil tem como fundamento a dignidade do ser humano e, no preâmbulo de sua Constituição, o País se propõe a ser um Estado fraternal, pluralista e sem preconceitos.

Isso significa dizer que a atitude de cada um de nós nos diversos cantos do nosso país e, principalmente, a dos representantes do poder público, deve estar pautada no extermínio das atitudes discriminatórias e na amplificação da cidadania e dos direitos humanos fundamentais do ser humano.

A discriminação emperra o desenvolvimento de um país, a intolerância, a falta de capacidade de conviver com o diferente só gera problemas, desordem, desarmonização, enfim, prejuízos.

Estima-se que no Brasil existam cerca de 18 milhões de cidadãos homossexuais, além de outros tantos bissexuais. É uma parcela grande da sociedade.

Contudo, a legislação atual não abraça o público GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), o que gera uma lacuna jurídica enorme e sem solução para as demandas que surgem na sociedade. Toda essa situação se forma devido à falta de coragem de legislar para pessoas que exercitam sua orientação, sua sexualidade, sua identidade sexual, fora dos padrões da heteronormatividade vigentes no país.

Tentando melhorar um pouco a situação, e obrigados pela lei de introdução ao Código Civil, os juízes vêm usando a analogia para conceder direitos ao público GLBT, uma cidadania que quase sempre lhes é negada.

Diversos projetos de lei tramitam no Congresso Nacional para regulamentação do modo de vida do público GLBT, tentando regular as relações homoafetivas, punir atitudes homofóbicas, reconhecer o direito à livre orientação sexual, enfim regularizando e punindo atitudes que estigmatizam uma parcela da sociedade e que são terminantemente proibidas pela Constituição da República Federativa do Brasil.

A grande maioria dos projetos não anda, reféns que são dos posicionamentos das bancadas religiosas, deputados que, pasmem, estão lá para a defesa da sociedade em geral.

Esses mandatários repudiam o direito à diferença, desconsideram a afetividade existente nas relações homoafetivas, emperram o exercício de direitos, produzem mais disparidade e diferença na sociedade.

Agem cegos da responsabilidade de agir com fraternidade, com solidariedade, com amor. Atitude que afronta os princípios mais comezinhos da Carta Magna, especialmente a liberdade, o direito á inviolabilidade da intimidade e da vida privada.

Artigo: Adolescência e Homossexualidade


Naila Soraya Fonseca dos Reis,
graduada em Serviço Social e assistente social do Centro de Referência LGBT do Giama

A adolescência é um estágio de grande intensificação das manifestações sexuais em que o adolescente passa a ter uma nova imagem corporal e psicológica. É nesse momento que pode buscar o caminho tanto da homossexualidade como da heterossexualidade.

A maioria dos adolescentes tende a se manifestar quando já se considera independente e sente-se mais seguro em relação à sua orientação sexual, alguns não se revelam nunca, pois é difícil para o adolescente assumir sua homossexualidade devido a rejeição, preconceito e a discriminação existentes na família, escola, sociedade, etc. Por isso, muitos jovens não se expõem e acabam se isolando, ou seja, não tem coragem de contar e muito menos compartilhar com alguém este sofrimento, tentando se defender da homofobia presente na sociedade.

É muito comum nesta fase, adolescentes serem expulsos de casa por seus familiares que não respeitam sua condição por causa de sua forma de amar, por não saber lidar com a diversidade humana.

Vale ressaltar que ser homossexual não é questão de escolha, mas sim uma condição da pessoa, que deve ser respeitada. Assim a homossexualidade não pode ser considerada doença, distúrbio ou perversão, pois a OMS (Organização Mundial de Saúde) o CFM (Conselho Federal de Medicina) e CFP (Conselho Federal de Psicologia) a retiraram os manuais de doença ou desvios sexuais.

Foi entregue para as categorias que trabalham a questão e para a sociedade brasileira a Resolução 489-06 que "estabelece normas vedando condutas discriminatórias ou preconceituosas, por orientação e expressão sexual, por pessoas do mesmo sexo, no exercício profissional do assistente social, regulamentando princípios inscritos no Código de Ética Profissional". Esta resolução se constitui num importante instrumento de luta para democratizar os espaços institucionais e para estimular o exercício profissional sem discriminar e sem ser discriminado por orientação sexual.

Contudo, o Serviço Social luta para que os homossexuais tenham seus direitos de cidadãos garantidos por lei, bem como o acesso desses atores sociais ao serviço de qualidade prestados pelo Estado e a sociedade como um todo.

A adolescência é um estágio de grande intensificação das manifestações sexuais em que o adolescente passa a ter uma nova imagem corporal e psicológica. É nesse momento que pode buscar o caminho tanto da homossexualidade como da heterossexualidade.

A maioria dos adolescentes tende a se manifestar quando já se considera independente e sente-se mais seguro em relação à sua orientação sexual, alguns não se revelam nunca, pois é difícil para o adolescente assumir sua homossexualidade devido a rejeição, preconceito e a discriminação existentes na família, escola, sociedade, etc. Por isso, muitos jovens não se expõem e acabam se isolando, ou seja, não tem coragem de contar e muito menos compartilhar com alguém este sofrimento, tentando se defender da homofobia presente na sociedade.

É muito comum nesta fase, adolescentes serem expulsos de casa por seus familiares que não respeitam sua condição por causa de sua forma de amar, por não saber lidar com a diversidade humana.

Vale ressaltar que ser homossexual não é questão de escolha, mas sim uma condição da pessoa, que deve ser respeitada. Assim a homossexualidade não pode ser considerada doença, distúrbio ou perversão, pois a OMS (Organização Mundial de Saúde) o CFM (Conselho Federal de Medicina) e CFP (Conselho Federal de Psicologia) a retiraram os manuais de doença ou desvios sexuais.

Foi entregue para as categorias que trabalham a questão e para a sociedade brasileira a Resolução 489-06 que "estabelece normas vedando condutas discriminatórias ou preconceituosas, por orientação e expressão sexual, por pessoas do mesmo sexo, no exercício profissional do assistente social, regulamentando princípios inscritos no Código de Ética Profissional". Esta resolução se constitui num importante instrumento de luta para democratizar os espaços institucionais e para estimular o exercício profissional sem discriminar e sem ser discriminado por orientação sexual.

Contudo, o Serviço Social luta para que os homossexuais tenham seus direitos de cidadãos garantidos por lei, bem como o acesso desses atores sociais ao serviço de qualidade prestados pelo Estado e a sociedade como um todo.